sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Na contramão

Manoel Carlos errou a mão em “Viver a vida”. Prova disso não é apenas os baixos índices de audiência alcançados pela trama. Quem acompanha a novela das 9 sabe que o ritmo é arrastado, com a história centrada na personagem principal, ainda que a entrada de personagens tenha dado um pouco mais de fôlego à narrativa . A Helena da vez, vivida por Taís Araújo, era uma aposta do autor. Não por ser negra, como foi largamente anunciado na mídia, mas por ser jovem, e não ter mais associado à sua imagem o fator maternal, comum nas protagonistas anteriores. O problema é que a personagem de Taís Araújo não agradou. Ela é feliz demais e, como sabemos, felicidade não vende, logo, não dá audiência.

E é justamente na briga por pontos do Ibope que a novela mais apanha. Na quarta feira 21/10/2009, a trama registrou 35 pontos de média na grande São Paulo, enquanto a história de Walcyr Carrasco, “Caras e Bocas”, exibida na faixa das 19 horas, 36, algo inédito dentro da Rede Globo. Além disso, a concorrência com “Bela, a feia”, da Rede Record, vem crescendo e esta última vem ganhando espaço e pontos na audiência.

É óbvio que a emissora não irá deixar seu carro chefe passar por apertos. É normal que tramas não registrem bons índices no começo, mas logo os executivos da Rede entram em ação e bolam esquemas para salvar o programa do pior, como ocorreu em “Torre de Babel”, de Silvio de Abreu, e “América”, de Gloria Perez. Coincidência ou não, essa última também tinha a direção de Jayme Monjardim, o mesmo de “Viver a vida”.

Como as duas obras citadas não tinham índices considerados satisfatórios para o horário, foi feita uma verdadeira faxina. Na história de Abreu, uma explosão ocorreu, eliminando personagens, e na de Gloria Perez, o diretor foi substituído. Eliminar personagens e diretores não é exatamente o caso de “Viver a vida”, mas que a trama necessita de uma reformulação urgente está mais do que claro. Caso contrário, corre-se o risco de ela ser encurtada, o que, nos últimos tempos, não tem sido difícil na emissora carioca, vide o caso com o programa “Norma”, de Denise Fraga. É esperar para ver.

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