quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Mãos de pianista

Hoje uma cena no ônibus me chamou a atenção. Sentei ao lado de uma senhora, muito perfumada, bem arrumada, com pose de bailarina clássica. Pedi licença antes de ir sentando e ela disse: “toda, querido”. Sentei. O ônibus seguiu sua rota. Ela parecia inquieta. A todo momento, levantava-se para fechar a janela. Daí a pouco sentia calor e tornava a abri-la. O vento bagunçava seus cabelos louros e ela fechava novamente o vidro. Lembrei-me, na hora, da minha avó que, quando andava de carro, exigia que todos os vidros estivessem fechados para não bagunçar suas lindas madeixas. Aquilo me comoveu instantaneamente. Não esperava que fosse lembrar dela, ainda mais num dia não muito feliz, numa semana não muito feliz, enfim. Bateu uma saudade. Saudade de chegar em casa e vê-la sorridente, levantar a saia dela de brincadeira, bagunçar os cabelos só para irritá-la e depois correr e dar um beijo em suas bochechas.
Voltemos à senhora do meu lado, senão começarei a derramar lágrimas em frente ao computador e, definitivamente, não seria nada legal. Toda sua classe me chamou a atenção. O seu perfume me levou a outro estágio, sublime, além daquele momento que eu estava vivendo – a ida para o trabalho. Comecei a prestar atenção também ao seu jeito. Suas mãos estavam um pouco deformadas pela artrite, mas as unhas bem cuidadas e os dedos longos não deixaram dúvidas: ela fora pianista. Olhei para o pulso, usava um relógio Louis Vuitton. Achei simples, porém muito bonito. Combinava com ela. Usava brincos de pérola. Pérolas brancas. Seus óculos escuros eram dignos de uma senhora de sua idade. Quando moça, deve ter sido muito bonita. Beleza que ainda mantém, apesar de certo relevo no rosto, comum a todos aqueles que assistem à passagem do tempo com honra e magnitude.
Sua jovialidade pôde ser percebida em um simples gesto: ela balançava as pernas, mas não era inquietude em virtude do trânsito. Parecia sacolejá-las ao ritmo de uma dança imaginária em sua cabeça. Aquilo também foi contagiante. Sua alegria me cativou. Sua presença também. Chegou minha vez de descer e não tive outra reação a não ser dizer tchau, apesar de não ter trocado uma só palavra com ela a não ser a licença para me sentar. Olhei para trás e vi em seu rosto um riso feliz. Eu fiquei feliz.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Na contramão

Manoel Carlos errou a mão em “Viver a vida”. Prova disso não é apenas os baixos índices de audiência alcançados pela trama. Quem acompanha a novela das 9 sabe que o ritmo é arrastado, com a história centrada na personagem principal, ainda que a entrada de personagens tenha dado um pouco mais de fôlego à narrativa . A Helena da vez, vivida por Taís Araújo, era uma aposta do autor. Não por ser negra, como foi largamente anunciado na mídia, mas por ser jovem, e não ter mais associado à sua imagem o fator maternal, comum nas protagonistas anteriores. O problema é que a personagem de Taís Araújo não agradou. Ela é feliz demais e, como sabemos, felicidade não vende, logo, não dá audiência.

E é justamente na briga por pontos do Ibope que a novela mais apanha. Na quarta feira 21/10/2009, a trama registrou 35 pontos de média na grande São Paulo, enquanto a história de Walcyr Carrasco, “Caras e Bocas”, exibida na faixa das 19 horas, 36, algo inédito dentro da Rede Globo. Além disso, a concorrência com “Bela, a feia”, da Rede Record, vem crescendo e esta última vem ganhando espaço e pontos na audiência.

É óbvio que a emissora não irá deixar seu carro chefe passar por apertos. É normal que tramas não registrem bons índices no começo, mas logo os executivos da Rede entram em ação e bolam esquemas para salvar o programa do pior, como ocorreu em “Torre de Babel”, de Silvio de Abreu, e “América”, de Gloria Perez. Coincidência ou não, essa última também tinha a direção de Jayme Monjardim, o mesmo de “Viver a vida”.

Como as duas obras citadas não tinham índices considerados satisfatórios para o horário, foi feita uma verdadeira faxina. Na história de Abreu, uma explosão ocorreu, eliminando personagens, e na de Gloria Perez, o diretor foi substituído. Eliminar personagens e diretores não é exatamente o caso de “Viver a vida”, mas que a trama necessita de uma reformulação urgente está mais do que claro. Caso contrário, corre-se o risco de ela ser encurtada, o que, nos últimos tempos, não tem sido difícil na emissora carioca, vide o caso com o programa “Norma”, de Denise Fraga. É esperar para ver.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

De volta

Faz um bom tempo que eu não posto aqui. A correria dos dois trabalhos e dos muitos outros solicitados na faculdade barrou a minha entrada no mundo bloguístico. Mas estou de volta.

E por falar em "estar de volta", andei fazendo umas pesquisas aqui para o serviço e deparei-me com uma figura bastante conhecida, e extravagante, do meio artístico: o DJ Zé Pedro, que tocava nos programas da Adriane Galisteu, lembram dele? Pois é, o rapaz ficou um tempinho fora da grande mídia e aproveitou para fazer trabalhos interessantes.

Recentemente - está bem, em junho deste ano, ou seja, nem tão recentemente assim - ele lançou um CD de remixes de diversas cantoras brasileiras, as favoritas do DJ, entre elas Angela Ro Ro e Maria Alcina, que, digamos, não são tão conhecidas do público mais jovem. O nome do álbum é "Essa moça tá diferente", lançado pelo selo Lua Music.

Fato é que eu acabei sendo direcionado para o site dele - www.djzepedro.com.br - e lá descobri umas preciosidades que valem o clique do mouse. Entre elas, "Gatas Extraordinárias", da Cássia Eller. Eu já gostava dessa música antes do remix. E foi uma grata surpresa ouví-la depois de tanto tempo. Confira!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Factóides

A mídia adora factóides. E o povo também, haja vista que não para de dar audiência para esse tipo de notícia. Segue um rol de temas. Escolha o seu preferido:

- Marina Silva candidata à presidência em 2010.
- O encontro secreto de Dilma e da secretária.
- Sarney e suas maracutaias.
- A briga de bastidores entre Globo e Record.
- A gripe A, vulgo gripe suína.
- O final de Maya.

Cabem mais temas. Aceito sugestões. E você, já leu seu factóide hoje?

sábado, 1 de agosto de 2009

Arroubos de Magali

A arquitetura paulistana é uma das mais belas do mundo. E uma das mais modernas também. Afinal de conta, só nós podemos contar com um Ramos de Azevedo e um Ruy Othake espalhado por nossas ruas. Esse segundo é o responsável por um dos prédios mais fantásticos aqui da Paulicéia: o hotel Unique, na Avenida Brigadeiro Luis Antonio, que, por sinal, é o caminho da minha roça, digo, da minha faculdade.
Há quem diga que ele é tem um formato de um barco, mas, na verdade, ele representa uma melancia. As janelas, redondas e pretas, simbolizam os caroços. E toda santa vez que eu passo por lá eu tenho arroubos de Magali, a personagem comilona de Maurício de Souza.
Passar por lá enquanto é noite só aumenta a beleza vista pelos que passam por ali. Aquele bar fantástico reluz aos olhos de quem está de fora e eu eu fico pensando no dia em que eu fecharei o hotel e darei uma festa de arromba. Mais um dos planos de Raphael Scire...

domingo, 26 de julho de 2009

Uma nova filosofia

Beleza e oportunidade são irmãs siamesas. E andam de mãos dadas, praticamente. Em mais uma sessão de filosofia e papo cabeça jogado fora no MSN, me deparei com a questão de mulheres que vão com qualquer cara para que tenham suas contas pagas, seja numa balada, seja na vida mesmo. Na verdade, quem chamou a atenção para esse tópico foi Aline de Lima Barbosa, uma moça serelepe, sempre de bem com a vida, mas que se diz incapaz de fazer isso, pois é "coisa de mulher dada".
Eu disse que isso é algo comum. É muito difícil uma pessoa se sujeitar a tal coisa pois, quer queira quer não, há uma série de princípios envolvidos intrinsecamente nos sujeitos. Mas aí surgiu a dúvida: quais princípios? Aline foi categórica e respondeu que são aqueles que "sua mãe colocou em você de alguma maneira, princípios estes que você não sabe dizer quais são, mas sabe que não são certos". Mas, por que cargas d´agua eles são errados? "A gente sabe que é errado, mas não se sabe porquê", declarou ela. Eu me toquei, na hora, que é uma ótima filosofia.
"Parando para pensar, é mesmo, né?", indagou Aline. Sim, muito. É uma nova filosofia, mas sem nome definido. Aceitam-se sugestões.