quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sobre doenças

Tudo começou com uma viagem ao Rio de Janeiro. Estive lá no início do ano para um compromisso profissional. Como bom turista, curti as praias, entrei no mar de Copacabana e aproveitei para tirar a “uruca” dos últimos acontecimentos do ano anterior. Eu sabia que não deveria ter entrado no mar de Copa. Devia ter me aventurado pelas águas do Leblon do Manoel Carlos, das Helenas e Zé Mayers mil.
Pois bem: foi em terras cariocas que eu devo ter pegado uma virose das bravas, aquelas que derrubam até poste de concreto. Dez dias após voltar do Rio, o vírus mostrou a que veio. Deixou a máscara cair, como uma Laura Cachorrona que mostra as garras e acaba com a Maria Clara Diniz aqui. Sim, ele me derrubou. Fiquei de cama, mal pra caramba. Os sintomas da tal virose de praia eram vários: cefaleia, vômito e diarreia – o popular “piriri” (odeio essa palavra). E o estrago foi feio. Não bastasse ter me derrubado, a tal virose acertou em cheio a minha mãe e, mais tarde, a minha tia, que na ocasião estava cuidando de nós.
Essa mesma tia, ao me ver derrubado na cama, dizia: “homem deveria parir, pra largar mão de ser manhoso”. Ela está certa. Nós, homens, somos, de fato, manhosos. E eu, em condições de enfermidade, fico ainda mais manhoso do que o normal. Só que com a mãe também doente, eu não poderia fazer manha para ninguém. Resultado: tive de encarar a moléstia de forma normal, como qualquer ser humano no planeta faz.
Depois de muito soro de bebê, comida pastosa e aquela água insossa conhecida como soro caseiro, eu me “recuperei”. Recuperei entre aspas, porque uma semana depois da tal recuperação, outra “mazela” voltaria a me atacar. O meu Twitter virou uma espécie de consultório médico público. Eu reclamei tanto das minhas indisposições que devo ter perdido uma centena de seguidores. Por isso, agora, resolvi fazer um texto aqui no blog para contar tudo o que venho passando nesse começo de 2010 – que não tem sido dos melhores, diga-se de passagem.
Como eu vinha falando: a virose passou, mas eis que uma semana depois, a minha garganta começou a ficar irritada. Mau sinal. Minha garganta, quando se irrita, indica que logo eu ficarei gripado. Geralmente, tomo uma Aspirina para evitar uma gripe. Dessa vez, entretanto, deixei pra lá. Não tomei nada e, no dia seguinte, não conseguia engolir absolutamente nada, de tão inflamada que ela estava.
Fui ao médico e ele se espantou com a vermelhidão da garganta. Me receitou antibióticos. Tomei. Cápsulas enormes, durante quatro dias. Eis que, nesse ínterim, minha sinusite resolve atacar. Um complô do corpo contra a minha pessoa, que não deu muita bola para ele nos últimos tempos, acreditando ser possível levar uma vida corrida sem os cuidados necessários para com a saúde. A sinusite atacada me rendeu uma gripe das boas. Consumi duas caixas de lenços em apenas um final de semana.
O mesmo médico, desta vez por telefone, pois eu não tinha mais forças para voltar ao seu consultório, me disse para intensificar as doses do medicamento, além de ter receitado mais um tipo de remédio. Tomei o tal coquetel, mas a danada da sinusite não queria ir embora. E o clima também não ajudava. Com esse calor africano que está fazendo aqui no Brasil, não há ser humano capaz de dormir sem um ventilador ligado na fuça. Eu, que sou fraco, não seria diferente. Ou eu dormia com o ventilador ligado, ou morreria de calor, passaria noites acordado e viveria parecendo um zumbi. Optei pela primeira opção, mesmo sabendo que o preço a se pagar posteriormente seria muito caro – como está sendo.
A sinusite não deu trégua. De tão congestionada que estava, minha cabeça parecia querer explodir. Para se ter uma idéia, eu não conseguia abrir os olhos. Olhar para a luz, então, nem se fala... voltei ao médico. Me tornei uma espécie de habitué de salas de espera de consultórios médicos. Exames e mais remédios. Mas o que salvou mesmo foi um sossega leão que a minha mãe me deu e que jogou a maledeta da sinusite para escanteio.
Mas, como desgraça pouca é bobagem, acordo na madrugada de hoje – 10/02 – com uma pontada no ouvido. Sim, estou com dor de ouvido. São 04:40 da madrugada e estou aqui escrevendo esse texto, na impossibilidade de dormir que me encontro agora. Eu não tinha dor de ouvido há anos. E quando digo há anos é literalmente, sem nenhum tipo de hipérbole. A última vez que senti uma dor tão forte, eu tinha cinco, seis anos. Mais de uma década e meia atrás, portanto. Me lembro da babá desesperada, ligando para a minha mãe a fim de descobrir o que fazer. Me lembrei - me dei conta, na verdade - também de que dor de ouvido é uma das piores possíveis.
Agora, a dor latente do ouvido me impede de dormir. Irritado, resolvi ligar o laptop e começar a escrever, produzir alguma coisa nesse momento de extremo incômodo. Juro que se eu ficar doente mais uma vez, vou me candidatar para dar um depoimento na novela Viver a vida. Dentre as resoluções de fim de ano, a que eu mais desejei para 2010 era ser feliz. Acho que me esqueci de pedir para ter saúde, devo ter acreditado que esse item estava englobado no pacote “felicidade”, afinal, quem consegue ser feliz doente? 2010 promete...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Uma crônica sobre o amor

Relacionamentos entre pessoas de diferentes idades é um tema discutido há tempos, tanto na sociedade como na literatura. O escritor francês Honoré de Balzac já tratava do assunto em seu livro “Ilusões perdidas”. Na obra, uma jovem atriz era sustentada por um velho comerciante, casado e com filhos, em troca de favores sentimentais e sexuais. Embora vivesse às custas dos rendimentos do comerciante, amava outro homem, mais jovem e mais belo do que o provedor do luxo e da boa vida que levava.
A multifuncional Marília Gabriela ganhou as páginas das revistas de celebridades ao assumir seu romance com o ator Reynaldo Giannechini, bem mais novo que ela. Havia quem dissesse que o moço usava Marília para subir alguns degraus em sua carreira artística. Fato é que ele ficou famoso, virou protagonista de novela das oito e o romance acabou. Cada um que tire as suas próprias conclusões. Se ele usou o prestígio e a fama da jornalista para entrar no meio artístico, ela também não deixou de aproveitar, verdade seja dita. E anos depois, sua preferência por garotos mais jovens virou motivo de piada a ponto de ter uma personagem na minissérie “Cinquentinha” inspirada em sua própria personalidade. É a arte imitando a vida e Marília encarando tudo com muito bom humor e profissionalismo.
Na sala de espera do médico, entra uma mulher bonita. Alta, vestido na altura das coxas, pernas à mostra, busto saliente e um salto alto que só aumentava sua altura. Ao seu lado, um homem baixo, gorducho e careca, vestindo uma camisa colorida, pêlos do peito aparecendo, algumas correntes douradas no pescoço e relógio largo no pulso, tal qual um bicheiro. Ambos usavam uma aliança dourada na mão esquerda, sinal de que eram casados. Entrei num momento de reflexão: como pode uma mulher tão bonita estar casada com um homem tão, tão... enfim, entenda como quiser.
Questionei os meus botões se naquela relação existia amor ou se era só interesse (de ambas as partes, para que eu não seja acusado de preconceito)? Eu tenho uma prima de terceiro grau que espalha aos quatro ventos que “nascer pobre é destino, mas casar com pobre é burrice”. Tanto fez que, há quatro anos, encontrou um advogado, mais velho. Começaram a namorar, ela engravidou. Casaram. Perguntei uma vez se ela o amava. Para minha surpresa, a resposta foi “sim”. Mas não foi um sim convincente. Insisti: “ama mesmo?”. Ela desconversou. Tornei a perguntar. “O amor foi nascendo com o tempo”, confessou ela ao fim de muita insistência. Depois de tanto tempo, a disparidade estética entre os dois chama atenção, como a mulher na sala de espera do consultório médico.
Os dois casais não são formosos. Há uma resistência da minha parte em entender bem o amor entre pessoas de diferentes idades. Acho que não há uma sintonia entre os interesses de ambas as partes. As pessoas estão em fases diferentes de suas vidas, almejam coisas distintas, o (a) mais novo (a) da relação vai sempre buscar algo que o (a) mais experiente já vivenciou. Alguns casos são até bonitos, mas ainda assim é muito raro encontrar amor verdadeiro em relacionamentos afins. Mas, enfim, quem aí ousa dizer o que é o amor?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Praticidade

Conversa corrente entre senhores ociosos em coletivos de São Paulo, a política brasileira rendeu pano para manga hoje de manhã. Vinha eu para o trabalho e um senhor na casa dos setenta anos, chapéu de boiadeiro na cabeça, conversava com o motorista do ônibus.
Ele versava sobre o salário mínimo - "uma miséria", segundo ele - os governantes e a "roubalheira espalhada nos quatro cantos do País".
Eis que ele me surpreende com um súbito arroubo, misto de praticidade e de intolerância, e diz: "o povo brasileiro é muito acomodado. Devia tudo se unir e tacar fogo no Congresso, quem sabe assim não resolveria tudo".
É, meus caros. A reputação dos políticos brasileiros está tão boa que, se bobear, eles acabarão ardendo no mármore do Planalto, digo, do inferno.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Agressão

Avenida Paulista, sentido bairro. Ponto de ônibus em frente ao Conjunto Nacional, nas imediações da rua Augusta. Sento para esperar o ônibus, que demora para chegar. Coloco os pés no banco de espera. Fone nos ouvidos e bolsa no colo. Pouco tempo depois, chega um senhor de idade, na casa de seus sessenta anos, mais ou menos. Ele resmunga alguma coisa na minha direção, apontando para o banco. Eu não consigo entender, pensei que fosse alguma coisa na minha bolsa.
Antes mesmo de tirar os fones do ouvido para perguntar o que ele havia dito, recebo um tabefe no cotovelo. Ele aponta para o meu pé. Fico pê da vida. Está certo que eu estava errado, com o pé em lugar indevido, mas me perguntei no mesmo instante que senti a mão calejada daquele senhor mal-educado - tanto quanto eu com meus pés no banco - no meu cotovelo: que direito tem ele de sair agredindo as pessoas nas ruas a torto e a direito só porque julga que elas estão fazendo algo que, na sua concepção, está errado?
Se fosse assim, que não gosta de cachorro sairia por aí dando chutes nos seus donos. Quem acha que os mendigos enfeiam a cidade, colocaria fogo em seus cobertores? Ora essa, uma atitude de violência não resolve os problemas de educação do povo. Não estou me eximindo de assumir a responsabilidade pelo meu ato, mas também não concordo em receber um safanão a troco de nada. Desejei na hora que, assim que chegasse em casa, aquele senhor encontrasse suas netas pulando de tênis em cima de sua cama.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010


Desejo a todos um feliz 2010. Que seja possível realizarmos todos nossos sonhos e planos. Muita luz, paz, saúde, sucesso, dinheiro e amor nesse ano que chega!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Um show de novela

Em abril deste ano, “Caras e Bocas”, atual novela das sete da Rede Globo, estava prestes a estrear. As críticas em relação à trama de Walcyr Carrasco eram muitas. O autor, então, inovaria a teledramaturgia ao colocar como um dos protagonistas da história um macaco, que iria causar muita confusão e divertir o público com as peripécias por ele aprontadas. Grupos de proteção aos animais entraram com ações acusando o autor e a emissora de estarem violando os direitos animais. Além disso, muitos críticos de televisão afirmavam que não acreditavam que um primata fosse capaz de dar conta do recado.
E não é que deu? Deu conta e muito bem, por sinal. Obviamente, o texto de Carrasco e a direção de Jorge Fernando, além da excelente escalação do elenco, muito bem afinado, também contribuíram para o sucesso de “Caras e Bocas”. A trama alcançou índices de audiência invejáveis, além de, em certos dias, ter ultrapassado a novela das oito, “Viver a vida”, carro chefe da emissora, nos números do Ibope, um feito para uma trama das sete.
As novelas do horário das sete horas são, desde “Guerra dos Sexos”, de Silvio de Abreu, marcadas pela narrativa leve e bem humorada. O tom de humor marcou “Caras e Bocas”, mas não foi só isso que garantiu a excelência na história de Carrasco. O autor conseguiu, magistralmente, transitar entre o cômico e o dramático. Ele fez – e ainda faz – o público dar boas risadas, mas também emocionou os telespectadores. Transitou entre o drama e a comédia com maestria e sem cair no grotesco.
O macaco Xico, que na verdade é uma macaca (Keith), roubou a cena. E a idéia de colocar um animal digamos exótico no elenco deu tão certo que, na reta final, mais dois primatas foram inseridos na trama, arrancando do público mais gargalhadas. Malvino Salvador mostrou que tem fôlego de protagonista. Ingrid Guimarães, no papel de Simone, teve de se ausentar da novela por conta de sua gravidez, mas provou que é uma grande atriz, além de excelente humorista, como todos já conheciam.
Déborah Evelyn foi, sem dúvida, quem mais se destacou. Na pela da vilã Judith, a atriz ganhou notoriedade e mostrou que é uma ótima atriz. Mas é impossível deixar de lado a Bianca de Isabelle Drummond. A garota deu um show de interpretação e não espanta se logo mais ela for escalada para protagonizar uma trama das oito. Quem sabe uma trama escrita pelo próprio Walcyr.
Carrasco deu agilidade às histórias. Criou e resolveu tramas em curto prazo, não enrolou e não apelou para o recurso do "quem matou" para segurar a audiência. Não que o recurso não seja válido, desde que tenha um motivo bom. Walcyr conquistou o público e a emissora. Ganhou lugar de destaque entre os dramaturgos brasileiros. Não será espanto vê-lo no horário das oito, embora ele próprio já tenha declarado que seu grande prazer é escrever novelas, independente do horário.
Ao elenco, equipe de apoio, produção e, sobretudo, ao autor ficam os parabéns por “Caras e Bocas”. E também o agradecimento por colocarem no ar uma história fascinante e envolvente.