A personagem dizia que seu filho iria dar uma palestra ali no
teatro, que ele estava nervoso e que todos deveriam aplaudi-lo. Questionada por alguém da plateia sobre seu nome, ela limitou-se a responder: “Me chamo Mãe”. E a peça começa. No palco, surge Dani (Danton Mello), um garoto inseguro, dominado pela mãe. Ao constatar a presença dela na plateia, ele treme nas bases, se desconcerta e interrompe sua palestra sobre matemática e começa a contar sua vida, dando as dez lições para se tornar uma supermãe, como sugere o título da obra.No tablado, surgem as figuras de Anette (Flavia Garrafa) e do Pappa (Ary França). Ela é a irmã mais velha de Dani e ele, o pai de corpo presente, inexpressivo, apático e que consegue arrancar poucos risos da plateia. Quem brilha mesmo é Ana Lucia. Do começo ao fim, ela garante os risos da peça. Sua energia é impressionante e ela consegue dar linearidade à mãe com todas as suas peripécias. Flavia também tem bons momentos, em especial quando alterna suas personagens, como a judia Golda e a pretendente “sexy” de Dani. Mello apresenta duas linhas a seu personagem: começa histriônico e aos poucos vai se encaixando no papel, mais solto e mais engraçado.
Impressiona também a quantidade de cenários – que são simples, rústicos até – e as trocas rápidas que são feitas. O texto, adaptação de Clara Carvalho para a peça de Paul Fuks, é inspirado e tem tiradas ótimas, atuais e de fácil reconhecimento para o público, mas a direção de Alexandre Reinecke deixa a desejar. Existem momentos que poderiam fazer a plateia rolar de rir, mas falta movimentação dos atores e humor depende muito disso.
“Como se tornar uma supermãe em dez lições” está em cartaz no teatro Gazeta – Avenida Paulista, 900 – até 02 de junho. Os preços variam de R$ 50 (domingo) a R$ 60 (sexta e sábado).
